segunda-feira, 14 de junho de 2010

Do Nada ao Tudo - O fascínio do fechamento

Pela primeira vez na minha vida jornalística, tive de pensar e fechar um jornal sem poder focar, de forma direta e factual, o assunto do dia, da semana, do mês. Em São Paulo, no Brasil, no Mundo. As vuvuzelas fazendo barulho na janela de casa, no meu ouvido, na minha cabeça, todos à minha volta dançando ao ritmo da vuvuzela, e eu junto com a minha equipe, tendo de fazer um jornal inteirinho contornando e dando voltas em torno da Copa do Mundo, sem poder ir direto ao ponto, sem poder chutar direto pro gol. Sem poder mostrar a goleada da Alemanha, ou os gols pífios da Itália e do Paraguai. E agora? Como fechar um jornal sem poder mergulhar na notícia do dia? Repeti essa pergunta inúmeras vezes ao longo de alguns dias, pra mim mesma, pra minha cabeça, pro meu sangue de jornalista.
Mas, de repente, entra em cena um dos lados mais fascinantes do jornalismo e do trabalho diário na redação: alguns fatos já existem, outros fatos surgem. E assim, do nada, os fatos novos, curiosos, intrigantes, foram surgindo. Já que não temos muito o que fazer com o grande fato, que já existe, vamos dar corda e enxergar os vários lados dos fatos que foram aparecendo. E assim, de descoberta em descoberta, de informação em informação, de notícia em notícia, o jornal foi desenhado. Com apurações e dados concisos, enfoques criativos, imagens buriladas e escolhidas literalmente a dedo.
E o jornal foi ao ar com todas as informações que realmente interessavam sobre a Copa do Mundo. Não faltou nada. E com outras, que só nós demos. Foi tudo uma questão de abordagem diferente, de um outro olhar sobre a notícia.
Esse é o fascínio do trabalho diário na redação. No início do dia, não há nada. No final do dia, há tudo.

2 comentários:

  1. Sandrooooo kd minha pizzaaaaaaaaaa

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  2. É isso aí, Breno! As pizzas e a falta delas também fazem parte do fechamento! O que seria dos fechamentos nas redações se não existissem as pizzas, né?? E sem as nossas piadas internas... Valeu pelos comentários!
    beijão!

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